CANTAR! não surpreende, mas funciona

Cantar! (Sing!), a aposta dos Estúdios Ilumination (Gru – o Mal Disposto; Minions) para o Natal de 2016 está ganha.

O filme realizado por Garth Jennings (The Hitchicker’s Guide to The Galaxy) e Christophe Lourdelet conta-nos o plano de Buster Moon, um coala simpático, que precisa de um grande espectáculo para salvar o Teatro Moon da falência. Decide-se a fazer um concurso de talentos ao estilo de um programa de TV de Domingo à noite. Feitas as audições, escolhe um grupo de falhados, apenas para perceber que, ele próprio, é tão falhado como eles. Cabe, então, a estes anti-heróis vencerem os seus medos, suplantarem-se e salvarem o dia.

Como se percebeu pelo parágrafo acima, a história de Cantar! não surpreende. Tem um início lento e ao fim de quinze minutos percebemos como tudo acabará: a narrativa é tão previsível como uma edição do Ídolos. O argumento de Garth Jennings preocupa-se em desenvolver as personagens, mas como o faz uma a uma – o rato egoísta e com a mania, a porco-espinho que depende do namorado, a porca que parece a Popota, o gorila que é gangster mas não quer ser gansgter, a elefanta tímida e o próprio Moon, um megalómano com a sorte de ter grandes amigos, – a primeira parte do filme é quase aborrecida. No entanto, Cantar! dá-nos uma segunda metade muito mais animada. O investimento feito em proporcionar uma história de fundo a cada personagem compensa porque, na última meia hora, a sucessão de contratempos e desafios funciona com inteligência, fluidez e emoção.

Espanta que, nestes tempos em que os estúdios perseguem o Santo Graal do politicamente correcto, a escolha das personagens seja tão estereotipada: os criminosos com sotaque russo são ursos, os assaltantes de bancos com sotaque afro-americano são gorilas. A crítica – justificada – foi imediata. Só faltou que a funcionária do banco que ameaça executar a hipoteca sobre o Teatro fosse uma doninha, em vez de ser uma lama.

Cantar! é um filme para crianças. Mas Jennings sabe que os miúdos vão ao cinema com adultos. Assim, é despejada uma paleta de êxitos pop e rock que põe toda a gente a bater o pezinho. É uma aposta mais fácil – e um bocadinho mais decepcionante – que desenvolver canções originais (o Trolls afinou pelo mesmo diapasão). Haja dinheiro para pagar os direitos. Além disso, há um evidente e merecido louvor a todas as working moms que conseguem tratar de (literalmente) 25 filhos e ter uma carreira de sucesso.

O Cantar! vê-se bem. Não ficará para a história, mas o estúdio está em forma: é um êxito de bilheteira e haverá peluches da Rosita e bonecada dos Happy Meals espalhados pelos quartos das crianças.

Por fim, uma última palavra para a versão portuguesa. A forma como a voz de Vasco Palmeirim encaixa na personagem de Buster Moon é uma boa surpresa. E mostra que ele não precisa de cantar para ter piada.

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