O brilho do Moonlight foi ofuscado por um erro monumental

A 89ª edição dos Óscares devia ser lembrada pela vitória de Moolinght, reconciliando a Academia com a virtude da diversidade, mas acabará por ficar na História pelo erro monumental de Warren Beatty na entrega do galardão para o Melhor Filme.

Comecemos pelo fim. Beatty e a Faye Dunway, que iam anunciar o vencedor do Óscar para Melhor Filme, receberam um envelope duplicado para o prémio de Melhor Actriz (entregue a Emma Stone por La La Land). As imagens mostram os vencedores meio aparvalhados, sem saberem o que dizer durante segundos, acabando por anunciar La La Land como Melhor Filme. Só minutos depois de os produtores do filme de Damien Chazelle terem feito a festa no palco é que o erro foi corrigido e Moonlight foi anunciado como o grande vencedor da noite. A PWC, responsável pelo processo de votação e angariação do vencedor já veio assumir o erro e pedir desculpas (se quiserem saber como funciona o processo de votação, podem ver o nosso artigo O que fazer para ganhar um Óscar).

Mas o que nos trouxe a noite dos Óscares, para além desta bronca inesquecível?

Em primeiro lugar, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas sublinha que um bom filme começa sempre por uma boa história. Moonlight capta a nossa atenção porque é contado de um ponto de vista pouco habitual para Hollywood. Mas Moonlight é muito mais do que isso: é um excelente filme porque tem uma excelente história e excelentes actores (Melhor argumento adaptada e Melhor Actor Secundário) a suportá-la. Manchester By The Sea também contribui para esta ideia ao vencer o Melhor Argumento Original e Melhor Actor.

Depois da polémica dos últimos anos, será que a edição 89 dos Óscares fez a paz com o conceito de diversidade nos filmes que premeia? A #oscarssowhite tornou-se passado? Provavelmente, não. Ainda há muito caminho para percorrer, mas estas vitórias (Viola Davis ganhou o galardão de Melhor Actriz Secundária) são um passo no caminho certo.

La La Land, apesar da meia-dúzia de estatuetas que arrecadou no Dolby Theatre, saiu com um amargo de boca. Além da derrota para lá do tempo regulamentar, perdeu em quase todas as categorias não-técnicas. Damien Chazelle, foi considerado o Melhor Realizador, tornando-se, aos 32 anos, ser o mais novo de sempre a conquistar esta glória. Quer isto dizer que La La Land é um mau filme? Depois de ser considerado o grande favorito à vitória, alguma crítica (portuguesa incluída) começou a desprezá-lo. Sem razão, na nossa opinião. La La Land não é o melhor filme de sempre, mas é, sem dúvida, um bom filme: as vitórias de Chazelle, da Melhor Fotografia e de Emma Stone provam-no.

Ao receber a estatueta dourada pelo seu papel como em Manchester By The Sea, Casey Affleck entrou, com Ben Affleck, no Clube dos Irmãos que Já Receberam Óscares. Houve mais curiosidades: Kevin O’Connell ganhou o prémio para Melhor Som por O Herói de Hacksaw Ridge à 21ª nomeação!

A cerimónia foi muito menos política do que seria de esperar e Asghar Farhadi, vencedor do Melhor Filme Estrangeiro por O Vendedor, foi a excepção: recusou-se a estar presente em protesto pela proibição de entrada de cidadãos oriundos de determinados países muçulmanos decretada pela Casa Branca.

Além do disparate da troca de envelopes, a lista completa dos vencedores dos Óscares 2017 também fica para a História:

Melhor Filme: Moonlight

Melhor Realização: Damien Chazelle (La La Land)

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator Secundário: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Secundária: Viola Davis (Vedações)

Melhor Fotografia: Linus Sandgren (La La Land)

Melhor Argumento Adaptado: Barry Jenkins (Moonlight)

Melhor Argumento Original: Kenneth Lonergan (Manchester by the Sea)

Melhor Filme Estrangeiro: O Vendedor (Irão) de Asghar Farhadi

Melhor Filme de Animação: Zootrópolis de Byron Howard, Rich Moore e Clark Spencer

Melhor Documentário: O.J.: Made in America de Ezra Edelman e Caroline Waterlow

Melhor Documentário Curta-metragem: The White Helmets

Melhor Curta-metragem de Imagem Real: Sing

Melhor Curta-metragem de Animação: Piper, Alan Barillaro e Marc Sondheimer

Melhor Direção de Arte: La La Land

Melhor Montagem: John Gilbert (O Herói de Hacksaw Ridge)

Melhor Caracterização: Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (Esquadrão Suicida)

Melhor Guarda-roupa: Coleen Atwood (Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los)

Melhor Banda Sonora Original: Justin Hurwitz (La La Land)

Melhor Canção: City Of Stars (La La Land), de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul

Melhor Montagem de Som: O Primeiro Encontro por Sylvain Bellemare

Melhor Mistura de Som: O Herói de Hacksaw Ridge por Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace

Melhores Efeitos Visuais: O Livro da Selva por Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon

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