Lego Batman: O Filme sabe rir-se da depressão

O Lego Batman: O Filme (2017) sucede ao The Lego Movie e demonstra que o crossover entre a marca de peças de encaixe e a Warner é um filão que ser á explorado até ao tutano nos próximos anos.

O filme realizado por Chris McKay ridiculariza com conta, peso e medida a personalidade sombria de Batman, herdeira dos filmes de Christopher Nolan e das bandas desenhadas de Frank Miller. O Batman é a maior estrela de Gotham, ele é tão especial que não tem oito abdominias definidos, tem nove (boa piada). E, no entanto, no final do dia, por causa da sua personalidade egocêntrica e, ao mesmo tempo, insegura, vai para a mansão multimilionária de Bruce Wayne sozinho. O filme acaba também por ser um ensaio sobre a fama e o sucesso dos tempos modernos, em que a sobreexposição mata a privacidade: a máscara funciona como o tampão que protege Bruce Wayne.

Lego Batman: O Filme tem uma história simples e será esse o seu principal problema. Depois de enclausurados todos os vilões de Gotham, o Batman deixa de ser necessário. E, assim, o herói alado entra em depressão. Terá de perceber que precisa do Joker (que só quer ser amado/odiado pelo Batman) para que a sua vida faça sentido. Não há dia sem noite, heróis sem vilões, paz sem crime. Apesar de excelente início, o filme perde algum interesse nessa história pouco trabalhada. O confronto mais bem conseguido, aliás, não é entre o Batman e o Joker. É entre o Batman e o Super-Homem. O Super-Homem é aquilo que o Batman gostava de ser: amado por todos, com uma casa sempre em festa e cheia de amigos. Por outro lado, os melhores momentos são quando o filme se vira sobre si próprio e pára de seguir os padrões do cinema, preferindo rir-se deles. As figuras, em vez de recorrerem aos tradicionais efeitos sonoros, fazem “pau”, “pau”, “pau” quando estão a disparar as suas armas. Tal como todos nós fazemos quando estamos a brincar com legos. Obedecendo ao politicamente correcto da indústria – há uma profusão de personagens femininas para piscar o olho às vendas de brinquedos para meninas e à polícia de costumes actual – sabe fazê-lo com bom humor. Barbara Gordon recusa uma das hipóteses de fato de Batgirl devido à excessiva feminilidade do desenho e o coro dos órfãos é um exemplo de integração, com uma das cantoras numa cadeiras de rodas.

A moral da história é evidente: o verdadeiro amor vem da família, não vem da fama. E ter uma família implica ser vulnerável. As explosões de cor dos fatos dos filhos ingénuos, como o Dick Grayson/Robin, destroem o cinzentismo das Batcavernas e do nosso mundo. E de certeza que as famílias que foram ver o Lego Batman passaram o resto da noite ou da noite a remexer nas suas figurinhas de Lego a construir heróis, carros, naves e a fazer pau, pau, pau.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s