A Idade das Sombras tem brilho

A Idade das Sombras (2016) é um filme de espionagem realizado por Kim Jee-woon e passado durante a II Guerra Mundial. O cenário é a Coreia ocupada pelos japoneses e a história retrata a luta da resistência coreana contra o invasor.

Percebe-se a escolha do tema, vindo de um realizador sul-coreano. Não será fácil viver a sul de uma ditadura tão imprevisível como a Coreia do Norte e com a enorme China a fazer sombra. A Coreia do Sul, hoje em dia, debate-se com estas ameaças e com um sistema político com tiques corruptos e de nepotismo. Acaba por ser um ensaio patriótico que valoriza o que deve ser feito em favor do bem comum e do bem maior. Mas não se pense que a Idade das Sombras é excessivamente metafórico ou denso. É um filme de espionagem do princípio ao fim.

Lee Jung-chool (Song Kang-ho) é um capitão da Polícia que, obedecendo ao ocupador japonês, é encarregado de desmantelar uma rede de resistência terrorista, com o auxílio de Hashimoto (Um Tae-god), um agente do governo nipónico. Acaba por aproximar-se de Kim Joo-win (Gong Yoo), um vendedor de arte, perito em falsificações, e o seu contacto junto da resistência, na esperança de conseguir informações sobre a actividade dos nacionalistas. A partir daqui a acção desenvolve-se num jogo de sombras, sem nos deixar perceber quem está a usar quem.

O curriculum de Idade das Sombras vem preenchido. No meio de vários prémios e nomeações, destaca-se o Melhor Filme do Fantastic Fest em Austin, Texas, no ano passado, o que fazia aumentar as expectativas. Não saíram defraudadas. Idade das Sombras é um bom filme de espionagem. Intrigante, com uma escrita inteligente e bem-humorada (há uma cena envolvendo fraldas de bebé que está muito bem conseguida), põe o espectador a tentar descobrir quem é a falsificação: a célula adormecida, o traidor, está do lado da Polícia ou da Resistência? E a cena passada no comboio, não tendo medo de explorar um lugar-comum dos filmes de espionagem, consegue atingir um patamar de excelência. As interpretações são sólidas, com o destaque para Um Tae-god, na pele de um agente japonês que não olhará a meios para conseguir os seus fins. Consegue criar uma personagem desequilibrada, assustadora, mas, ao mesmo tempo, risível de tão ameaçadora, sem se tornar caricatural.

Talvez a Idade das Sombras seja um pouco grande demais. Não precisávamos de tantos pontos de inflexão do argumento. A partir de um certo momento, mais do que sermos surpreendidos, queremos que o filme apresente uma solução para as perguntas que faz.

De qualquer maneira, o filme pode chamar-se a Idade das Sombras, mas tem brilho. Não admira se, daqui a uns dois ou três anos, algum estúdio de Hollywood sem criatividade pegar nesta história e lhe fizer um remake passado em França, com o Clooney a protagonizá-lo.

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