A Teoria de Tudo ou como as mulheres não resistem a homens inteligentes

Apaixonámo-nos por biopics. Talvez seja falta de inspiração para encontrar histórias novas ou ausência de vontade em fazer investimentos arriscados. Mas estamos viciados em biopics. Por vezes chegam aos pares, como aconteceu com os filmes sobre Ives Saint-Laurent…

A Teoria de Tudo, realizado por James Marsh em 2014, centra-se na vida de Stephen Hawking, o mais famoso cientista do mundo após Albert Einstein. No entanto, o filme conta uma história de amor. Na verdade, o argumento baseia-se em Travelling to Infinity: My Life with Stephen Hawking, o livro escrito por Jane Wilde, a ex-mulher do cientista. Retrata como se conheceram, apaixonaram e enfrentaram a decadência física de Hawking e a sua ascensão académica até ele se tornar numa espécie de estrela rock da ciência. E qual destes movimentos deixou mais cicatrizes no casal, levando Jane Wilde a abdicar da sua carreira na faculdade, a apaixonar-se por outro homem e Hawking a deixá-la para viver com uma sua enfermeira?

O argumento está bem escrito, mas por ser baseado no livro, é limitado por essa baliza. Pródigo a falar da vida amorosa e familiar do casal, repete questões como a procura de Deus e a sexualidade, temas caros a Wilde, até à exaustão. O trabalho do físico, por outro lado, é contado num repente. Quem não conhece A Breve História do Tempo, o seu mais célebre trabalho, não o ficará a conhecer com A Teoria de Tudo.

A força do filme reside na interpretação de Eddie Redmayne (Hawking) e de Felicity Jones (Wilde). Ele desfaz-se fisicamente para se tornar num homem brilhante, mas vencido pela doença. Percebemos que há demasiadas coisas a passar pela cabeça do cientista para que possa contemplar uma existência tradicional. Os seus excessos, necessidades e (in)compreensões do mundo são consequência dessa efervescência. E é estranho ouvir Hawking falar em inglês de Inglaterra: estamos habituados à sua voz computorizada com sotaque americano. Jones consegue falar sem abrir a boca. O seu olhar mostra tudo, o que pensa e o que sente, um desempenho notável para mostrar que este casal se habituou a comunicar por muito mais do que palavras. Não admira, por isso, que o par tenha sido nomeado para os Óscares.

A Teoria de Tudo é um filme bem feito. Stephen Hawking é, por si só, uma figura suficientemente sedutora para nos encantarmos com a sua história. A realização é competente e o argumento está bem escrito. Redmayne e Jones captam a nossa atenção. É um documento histórico? Não. É uma obra de ficção, uma visão, uma interpretação do que se passou e quem está à espera de ver um relato pormenorizado e imparcial, ficará defraudado. De qualquer maneira, são duas horas de bom cinema. E isso e o mais importante.

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