Jurassic World: quando não olhar a despesas dá bom resultado

Tinha quinze anos quando vi o Parque Jurássico pela primeira vez, Como é lógico, fiquei maravilhado. Ter dinossauros ao alcance da mão era um sonho e aquilo parecia tão real…

Jurassic World (2015) é a continuação dessa história. Opta (e bem) por fazer tábua rasa das péssimas sequelas do filme original e assume-se como o seu herdeiro directo.

O argumento segue o manual de Michael Crichton, responsável pela história original: o ser humano decide-se a fazer o papel de Deus. A arrogância infantil do cientista não tem em conta os desígnios insondáveis da Natureza. As coisas dão para o torto. No final, é preciso corrigir, em desespero, os disparates que se andaram a fazer.

Tal como o dinossauro-estrela de Jurassic World – o Indominus Rex – este filme é uma colagem de muita coisa. Depois, há que torná-lo maior e mais espectacular, na esperança que isso baste ao espectador. A história… Bom, talvez a história não seja o mais importante. Nem a ciência, se pensarmos bem nisso. A paleontologia teve avanços no último quarto de século, mas os dinossauros continuam iguais: o velociraptors, sabemos agora, não são nada como os animais descritos do Parque Jurássico, mas Jurassic World não se preocupou em fazer grandes actualizações.

Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) atravessa o filme e uma selva de quilómetros em cima de uns saltos altos. Owen Grady (Chris Pratt) é a caricatura de Steve Irwin, o encantador de crocodilos australiano. Como são um par de bons actores, desempenham o seu papel com competência, mas só lhes pedem que andem de um lado para outro, desviando-se de eventuais ataques. A personagem mais entusiasmante aliás, é Simon Masrani (Irrfan Khan), o dono do parque. Mas conseguem dar cabo dele ainda na primeira metade do filme e impedir que surgisse alguma complexidade na trama.

É curioso que, 25 anos depois, se continuem a subalternizar as mulheres. No Parque Jurássico havia uma Laura Dern cientista e uma Lex Murphy (a menininha) que não se deixava ficar. Em Jurassic World, as mulheres são tolinhas, interesseiras ou fúteis. E precisam desesperadamente de um homem que as proteja.

Agora que já mostrei ser um adulto exigente nas minhas apreciações, vou soltar o miúdo de 15 anos que ainda vive dentro de mim: o Mundo Jurássico é espectacular! Tem Triceratops, Raptors, Mosassauros, Anquilossauros e o T-Rex. É um filme de aventuras em que o herói e a heroína se apaixonam no meio das explosões e sangue e arvores cujo tronco tem a grossura de uma pequena vivenda. Chris Pratt chega a fazer lembrar um Indiana Jones dos bons velhos tempos… Há um par de irmãos irrequietos. E há respeitinho pela hierarquia. Não digo mais nada para não revelar spoilers, mas o T-Rex continua no topo da cadeia alimentar.

Jurassic World é uma aventura frenética. Bem filmada, com um orçamento de 150 milhões de dólares (dá quase um milhão por minuto). Mas para quem ainda é capaz de se maravilhar com a magia do cinema e não está preocupado em metaforizar cada plano, é dinheiro muito bem gasto.

Diz que mais dia menos dia, mais ano menos ano, haverá sequela.

“Spare no expense”, é o que pedimos.

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