As Loucas Aventuras de Max e Leon: riso fácil. O que não é mau…

Tenho dificuldade em gostar de comédias que usem a Segunda Guerra Mundial como tema. O ponto de partida é tão aviltante que fico logo de pé atrás. Apesar de vir com boas referências – grande sucesso de bilheteira em França, boas críticas de parte da imprensa – este As Loucas Aventuras de Max e Leon tinha de fazer muito para me conquistar. Na verdade, Max e Leon é uma comédia que usa a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo (como poderia usar outro tema qualquer), mas não a quer interpretar ou revisitar. Compreendido isto, tudo se torna mais simplista, menos exigente e desafiante, mas mais confortável.

Max (David Marsais) e Leon (Grégoire Ludig) são dois jovens mandriões com três grandes objectivos na vida: coleccionar mulheres, beber muito vinho e saltar de festa em festa. A sequência inicial, que nos apresenta o par como uma dupla de órfãos abandonados, faz-nos ter pena deles. Mas desenvolve-se de uma forma inesperada e deliciosa até percebermos que não passam de dois imbecis à solta na França rural dos anos 30. A eclosão da guerra e o inevitável recrutamento estragam-lhes os planos. A partir daí, partem em aventuras e desventuras que duram anos. Quase até 1945. A viagem que fazem – entre França, Inglaterra e Suíça – é também a viagem interior que os transformará. Desejosos de se furtar ao conflito, são envolvidos, sem o desejarem, nos planos de exércitos, resistências e opressores. A guerra depura-os: de idiotas no início passam a uma militância relutante até se tornarem parte do esforço da guerra. Seja por convicção, bravura ou para garantir um lugar no coração (e no resto do corpo) de Alice Marchal (Alice Vial).

As Loucas Aventuras de Max e Leon faz lembrar o Onde fica a Guerra? de Jerry Lewis, uma das minhas comédias favoritas. De sempre. Tal como esta, o destino da guerra fica dependente das acções de um imbecil. Que se supera. Grande parte do mérito do filme (tal como acontece com o clássico de Jerry Lewis) depende do trabalho dos actores. A cumplicidade entre Marsais e Ludig (uma dupla de cómicos habituados a trabalhar juntos) funciona e aguenta bem durante os 90 minutos da narrativa. A única crítica social assumida faz-se pela intolerância que os “colaboracionistas”, representados por Celestin (Bernard Farcy) – num belo desempenho – têm perante todas as pessoas que são não-brancas, não-homens e judias. Aliás, um dos momentos mais interessantes do filme é quando Celestin, antigo empresário, agora político, reconhece estar a marimbar-se para as ideologias. Ele limita-se a estar do lado dos vencedores. Na França de hoje, dos 11 milhões que votaram em Le Pen, isto quererá dizer alguma coisa.

As Loucas Aventuras de Max e Leon é uma comédia que solta gargalhadas por entre cenas desconfortavelmente ridículas, mas corre por um caminho que o espectador reconhecerá com facilidade.

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