Ted 2: a gargalhada boçal

Grande parte do sucesso de Ted 2 reside no paradoxo. Por um lado, o protagonista (Ted) é um urso de peluche querido e fofinho, mais ou menos do tamanho de uma criança de quatro anos. Por outro lado, Ted é capaz das maiores barbaridades. Assim que abre a boca percebemos que estamos perante uma criatura boçal, egocêntrica, misógina e racista.

O segundo pilar em que assenta este sucesso é a relação fraternal entre Ted (Seth MacFarlane) e John Bennet (Mark Whalberg), o seu dono e (depois do estranho acontecimento que deu vida ao urso de peluche) “amigo de trovoada para sempre”. O par funciona muito bem no ecrã. Extraordinariamente bem se pensarmos que Ted é um boneco criado, quase sempre, em CGI. Há actores de carne e osso que não conseguem este nível de ligação entre eles e com o espectador.

A história de Ted 2 é a esperada. Desta vez, perde menos tempo a apresentar as personagens e prefere debater uma questão relevante: o que é uma pessoa? Pode um urso de peluche ser considerado uma pessoa (com os correspondentes direitos e deveres) ou essa distinção está reservada aos seres humanos? A personalidade de Seth MacFarlane, conhecido por ser um liberal de centro-esquerda, poderia indicar que este caminho seria trilhado com alguma profundidade em Ted 2. As analogias com a actual situação dos Estados Unidos são evidentes: que direitos têm as minorias negras ou muçulmanas? Os mesmo que os de um WASP? Ou há um argumentário de segurança nacional ou de sujeição racial que os diminua? Na verdade, o filme passa ao lado desta discussão, ficando-se pela rama e privilegiando uma sucessão de aventuras e desventuras, como não poderia deixar de ser escatológicas e politicamente incorrectas.

Samantha Jackson (Amanda Seyfried) é a nova sidekick de John Bennet. O seu anterior casamento não funcionou e, portanto, Mila Kunis saiu de cena. A presença forte de Amanda Seyfried acrescenta valor a Ted 2. E as sucessivas piadas sobre a sua parecença com uma determinada personagem do Senhor dos Anéis são muito boas. Já que falamos em momentos altos, o cameo de Liam Neeson, a levar a sua personagem de Taken para lá dos limites, é excelente.

Ted 2 é uma comédia., Quem quiser mais do que isso, ficará desiludido. Quem ficar satisfeito com a gargalhada ocasional, vai gostar.

E sim, abriu-se espaço para o Ted 3.

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